4 de abril de 2015

Eu, você e a saudade

 Eu,Você e a saudade.

Uma ou duas cartas perdidas no fundo da gaveta dentro de um livro que conta uma história estranha, alguns dos teus filmes preferidos ficaram na sala e ainda estão por lá amontoados e


 encostados porque sem você eu não assisto. Uma estranha passa por mim em um dia qualquer e sinto o teu perfume, por um momento fecho os olhos e imagino você ali, mas logo me forço a voltar à realidade, pois nela não existe você, nem nós. Engraçado como uma pessoa completamente desconhecida se torna uma necessidade em nossos dias de uma hora pra outra e quando você menos espera já se importa mais do que deveria e queria. Quando te encontrei da primeira vez te olhei e fiquei tentando imaginar o que você estaria pensando, você tinha um olhar perdido e eu queria me perder junto com você. Não vou dizer que acredito em amor a primeira vista, não sei nem se acredito em amor, mas acredito em uma ligação forte entre duas pessoas que antes jamais imaginaram a existência uma da outra, acredito no destino, no acaso, nessa historia que parecia já estar escrita. Não demorou muito tempo e a conversa fluiu tão bem, nem lembro sobre o que falamos, mas lembro de não sentir vontade de ir embora. 
Cada momento junto a ti era uma nova descoberta e vejam só que bobo, eu ria só por você jogar o cabelo pro lado e sorrir pra mim com cara de quem aprontou. Teu jeito de falar de alguma forma me passava tanta segurança e sinceridade que eu era capaz de matar alguém jurando que tudo que você dizia era a mais pura verdade. Passaram-se alguns dias, algumas semanas e meses e agora te conhecia muito melhor, sabia um pouco sobre teus amores, sobre seus sonhos e sobre essa vontade que você tinha de morar lá longe, e mesmo sorrindo e fazendo piadas eu morria de medo que chegasse o dia em que eu tivesse que me despedir, queria te ver feliz e ao mesmo tempo meu coração implorava pra seus planos darem errado. Não deram. Você foi embora e eu tive que dizer um adeus que até agora está entalado na minha garganta. Acho que do mesmo jeito que o destino apronta uma dessas de colocar alguém perfeito na nossa vida ele logo trata de tirar, ou de colocar obstáculos pra isso tudo de busca por amor, par perfeito e blábláblá continuar sendo uma procura cansativa e inútil. Voltei pra casa, arrumei a sala, tentei beber alguma coisa pra tirar esse nó, mas de nada adiantou, aquele adeus agora vai morar comigo. Nas lembranças, na gaveta e no coração. 

(Tati Bernardi)

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